Histórias · Diário de escrita
O livro precisa ser lido por outros olhos
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O livro entrou numa etapa importante: a revisão.
Além da revisão do texto, estou pedindo a familiares e amigos que leiam com olhar crítico — cada um com a sua experiência e a sua maneira de perceber a história. A ideia é não ficar só com a minha visão sobre aquilo que escrevi. Estou perto demais do texto: coisas que me parecem claras podem não ser claras para quem lê pela primeira vez. Devem existir pontas soltas, trechos que pedem mais contexto, passagens exageradas ou pouco explicadas, e alguma coisa que simplesmente não funciona como eu imaginava.
Por isso procurei pessoas de perfis diferentes, dentro da minha convivência. Se o livro precisa conversar com pessoas diferentes, precisa ser lido por pessoas diferentes antes.
Na música isso sempre me pareceu natural: nunca mixei nem masterizei o que gravei. No fim do processo, a mixagem é conferida em outros aparelhos — no carro, no fone, no celular — porque uma mistura que só funciona na sala onde foi feita ainda não está pronta. Com o livro é a mesma coisa: o que só funciona na cabeça de quem escreveu ainda não está pronto.
Neste momento, mais do que elogio, quero saber o que precisa melhorar. Ouvir, anotar, pensar e ajustar o que fizer sentido.
O livro ainda está sendo construído. E deixar que outras pessoas enxerguem o que eu, sozinho, não consigo enxergar também é parte de construir.