Histórias · Bastidores
Uma coisa é escrever, outra é cantar
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Estava há anos sem cantar quando entrei no estúdio para gravar estas três canções. Escrever nunca parou; cantar, sim. O acidente foi em 2024. A virada para 2025 passou inteira dentro da reabilitação, e foi ali que apareceu a ideia de gravar. Só que voz é músculo: não basta querer, é preciso recuperar afinação, fôlego e a familiaridade de estar diante de um microfone sabendo o que o corpo vai fazer.
Cheguei a Guarulhos procurando estúdio e conheci o Paulo Pollon, que me apresentou o PSP Studio. Me recebeu sem formalidade nenhuma. Ouviu o que eu tinha, gostou, trocamos ideia e começamos a gravar.
No meio do caminho ele percebeu o que eu já sentia: a voz precisava de trabalho. E foi ele quem me indicou a Fernanda Pontes, que fez a preparação e a direção vocal — aquecimento, exercício, orientação técnica — e ainda gravou comigo os backing vocals de "Ele é" e "Todas as canções".
Tem uma parte disso que eu não esperava. Estas canções vieram do período mais difícil que eu já vivi. Chegar ao estúdio com a canção ainda aberta por dentro atrapalha o ofício: muda a respiração, rouba a concentração, atrasa a resposta a uma orientação simples. Cantar exige estar comovido o bastante para dizer de verdade e firme o bastante para acertar a nota, e as duas coisas brigam. A preparação é o que segura a firmeza enquanto a emoção acontece. Não serve para sentir menos; serve para o resto não desabar junto.
No PSP, quem ficou atrás dos botões foi o Paulo: gravou tudo e começou as edições. Ele quase não aparece no vídeo, pelo motivo de sempre — quem está operando fica do outro lado do vidro.
Ah, e não posso esquecer: os violões e as guitarras das três canções ficaram por conta do Felipinho, outra indicação do Paulo. Chegou, ouviu, entendeu e resolveu: sugeriu o que cabia e não encheu nenhuma faixa para mostrar serviço. Fez o que a canção pedia.
E aconteceu uma coisa que eu nem sabia que me fazia falta. Não precisei representar nada, nem fora do microfone, nem nele. Fui eu, com as minhas dificuldades — as desafinações estão lá, e é também para isso que existe edição depois. Faz parte. Virou amizade, e isso não é detalhe de bastidor: gente simples, sem pose, muda o que você consegue cantar quando aperta o REC.
A trilha do vídeo é uma versão bem crua de "Ele é", sem mixagem, só para dar uma noção de onde a canção está chegando. Agora o EP entrou na mixagem, com o João Elbert: a etapa de colocar cada som no seu devido lugar. Quando estiver pronto, aparece por aqui.